segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cartas a um jovem político

Cartas a um jovem políticoCartas a um jovem político by Fernando Henrique Cardoso

My rating: 4 of 5 stars


Comprei esse livro em janeiro de 2007, e ao começar a ler, decidi esperar e ver o desenrolar do segundo governo Lula.

Terminado esse período, abri o livro de FHC e resolvi olha-lo com a perspectiva de uma terceira derrota consecutiva do PSDB para presidência e a eleição do segundo presidente do PT. E, após isso, não posso dizer que o livro tenha sido uma surpresa, pois não poderia esperar nada menos do ex-presidente da república.

Minha admiração pelo FHC começou a surgir por volta de 2006, e nesse livro, ela aumenta. Posso dizer que essa pequena coleção de cartas seria o "arte da guerra" do político tucano, entretanto, isso seria dar uma má impressão para a publicação. O livro é um apanhado de experiências coletadas ao longo de sua carreira política e suas impressões sobre o que deu certo e o que deu errado.

Com uma visão de processo, ele define a política (da forma mais arendtiana) como a capacidade de realizar o impossível.

O livro tem seus acertos, como questões de popularidade, reavaliação, história e formação de alianças, e, obviamente, suas previsões erradas - especialmente, para ambos os casos, quando lido quase 5 anos após sua publicação.

Entretanto, acredito que deve ser lido não somente por pessoas interessadas em ingressar na política (o que, na verdade, soa apenas como um beabâ ético de como se portar), mas em pessoas interessadas em política em geral, independente do seu viés ideológico: gostando ou não, o autor é um poço de conhecimento, que, no pior dos casos para o xiitismo mais retrógado, deveria ser bebido nem que seja na máxima, "know your enemy".

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Drogas ou putaria?

Neste primeiro mês, o governo Dilma acenou já para o segundo. Bem salutar, concordo. Mas não quando a putaria é feita com meu dinheiro e as drogas são uma opinião sobre políticas futuras a serem implantadas.

Ou seja, o ex-secretário de políticas antidrogas do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay, deve ser punido com sua exoneração imediata quando ventila a possibilidade de incluir o fim da pena para os pequenos traficantes (aviõezinhos) como uma futura política de combate às drogas (que deveria ser apreciada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidente antes de virar lei), diminuição da criminalidade e superlotação das cadeias brasileiras.

Já o ministro Pedro Novais pode fazer a sacanagem que quiser em motéis no Maranhão, bancadas pela sua cota parlamentar (meu e seu imposto), que como punição, recebe o Ministério do Turismo e seus R$ 3.715.361.199 de orçamento.

Belos critérios.

Se bem que a presidente pode considerar o fato do ministro ser filiado ao PMDB como uma punição suficiente. Vai saber, né?

domingo, 31 de outubro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Só para espantar as moscas...

"SE LIGA BRASIL"

"MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA

"Numa democracia, nenhum dos Poderes é soberano. Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.

"Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.

"É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.

"É inaceitável que militantes partidários tenham convertido órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.

"É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.

"É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais em valorizar a honestidade.

"É constrangedor que o Presidente não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há "depois do expediente" para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no "outro" um adversário que deve ser vencido segundo regras, mas um inimigo que tem de ser eliminado.

"É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e de empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.

"É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.

"É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É deplorável que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.

"Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para ignorar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.

"Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.

"Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos".

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Brasil e mais um caçador de marajás?

Logo que o projeto ficha limpa foi aprovado pelo Senado Federal, recebi um e-mail de ciberativistas que questionavam qual seria a nova demanda da sociedade civil para o Governo Federal.


Sem dúvidas o ficha limpa foi uma vitória histórica e uma demonstração que o brasileiro pode sim mudar o rumo do país. Na época, não consegui pensar em nada digno de nota, então deixei o e-mail de lado. Porém, algumas notícias nos últimos dias me assustaram demais. Cito três:


Senado aprova plano de carreira que custará meio bilhão

Serviço público paga mais que a iniciativa privada

Policiais Federais ameaçam greve


Somo a elas a informação que a polícia civil do DF (que tem salário inicial de 7k para agente) estava em greve neste fim de semana e que o judiciário também está com projeto de aumento de salário e com parte da categoria em greve (o TJ tem inicial de 4k para nível médio).


Então eu me pergunto: o que diabos está acontecendo com o Brasil? Que pais do mundo consegue crescer quando o serviço público paga tão generosamente as pessoas que não necessariamente prestam um bom serviço?


A Câmara aprovou um reajuste salarial para funcionários e comissionados, onde um comissionado pode chegar a ganhar quase 15k!!!


Isso, quem paga é o seu e o meu imposto. Quem ta custeando isso é a verba que poderia ser utilizada para melhorar a infraestrutura do país, pressionar a baixa dos juros, aumentar a transparência do governo federal ou melhorar a nossa saúde/educação.


O Brasil entrou na contra-mão de premiar antes do mérito: boa parte dos servidores públicos recebe salários excelentes para prestar um serviço que está muito, mais muito aquém do que esperamos.


Eu me pergunto em que empresa séria encontraríamos um funcionário ganhando 4k para trabalhar 6hs diárias (judiciário)? Ou onde encontraríamos um funcionário ganhando algo na faixa dos 20k, já no final de carreira (ou não, dependendo do concurso para que o afortunado passou), que não trabalhe muito mais do que os funcionários recém contratados?


Em nenhum lugar sério no mundo encontramos isso. Mas no Brasil, é só dar uma volta no serviço público e os exemplos vão despencar.


Para um país crescer é imprescindível um serviço público de qualidade e com funcionários satisfeitos. Porém, remunerar bem e deixar seus funcionários satisfeitos está muito distante do que é feito. A Constituição, lei maior de qualquer democracia de direito, proíbe claramente equiparação salarial: porém, a maioria das justificativas de greve utiliza isso como justificativa.


O que está sendo gestado é uma bomba que custará muito caro para o país. O governo tentou fortalecer o serviço público, porém ao fazê-lo, não soube, e não está sabendo medir a dose: premia mais do que deve, e não sabe dizer não quando é necessário.... Talvez reflexo de grandes equívocos que vem sendo cometidos na nossa política.


O Brasil precisa urgentemente rever esses conceitos e a sociedade precisa acordar para essa bolha que está prestes a explodir ao seu lado. O Estadista que tiver coragem de mudar isso enfrentará muitas hostilidades. Precisará do apoio de um povo que entende que existe uma grande diferença entre ser patriota (entender que o interesse do futuro da nação é mais importante que caprichos pessoais/classistas) e enfeitar as ruas de verde e amarelo a cada quatro anos.


Temos de acordar para isso: precisamos de um novo Estadista, ou quando a bomba explodir, outro caçador de marajás poderá aparecer por ai...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Desrespeitar a lei virou norma da campanha

Divulgando um texto deveras interessante:

Quem se dispôs a assistir ao programa nacional, gratuito, do PSDB, na noite da última quinta-feira, pode (e prestem atenção que usei o verbo poder, reconhecendo que muita gente deve ter tido um entendimento diferente do meu) ter chegado à mesma conclusão que eu: a atual campanha eleitoral desmoralizou de vez a legislação eleitoral e consolidou o império da hipocrisia e do famigerado “jeitinho brasileiro”.

Afinal, no horário em que o PSDB deveria divulgar suas bandeiras e compromissos partidários, o que se viu foi uma campanha escancarada em favor do candidato do partido à Presidência da República, José Serra, rompendo todos os limites fixados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o que pode ser feito nesta fase do calendário eleitoral.

Merece punição? Sem dúvida. Deve ser punido com o rigor que a legislação exige? Duvido.
Não custa lembrar que a temporada de desmoralização da lei começou com o programa eleitoral do PT, divulgado no dia 13 de maio, quando aquele que deveria se o guardião maior das leis brasileiras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou o espetáculo de louvação à sua candidata, Dilma Rousseff, num também escancarado desrespeito à legislação em vigor, apostando que é mais vantajoso pagar as minúsculas multas (minúsculas para os padrões financeiros dos partidos), do que obedecer aos limites da lei.

Aceito o precedente, fixa-se o esquema da porteira escancarada: só não passa quem quer.

Perde a democracia, perdemos nós, cidadãos brasileiros, uma vez que a legislação que devia ser o guarda-chuva maior dos direitos e deveres de todos, torna-se uma figura virtual, manipulável e usada apenas no interesse dos que podem mais – ou dos que estão querendo poder mais.

Este é o Brasil velho de guerra, no qual figuras de proa não podem pisar no rabo alheio porque os seus estão dando sopa pelos mesmos motivos.

Daqui: Política & Cidadania.

terça-feira, 1 de junho de 2010

50 anos, 50 imagens

Link que uma amiga mandou pelo e-mail, com 50 imagens lindas da minha cidade.


Apaixonante!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Herança maldita

Se uma dívida de 52% do PIB era herança maldita, como será batizada uma dívida de 64% do PIB para o próximo governo?

E não para por ai: aumento proporcional ao PIB em 2011 para os aposentados + aumento para 32 mil servidores aprovado ontem. Aumento até para servidor (araponga) que neste governo deixou de ganhar 3 mil reais de salário inicial e foi para 8.500, a menos de 1 ano e meio. Óbvio que precisa de aumento agora.

Irresponsabilidade? Herança maldita? Suborno? Compra de votos? Nada disso. É o Brasil desbravando as novas terras do desenvolvimento!

Dilmão presidente!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Yoani Sanchez é uma farsa?

Geral deve saber quem é a Yoani Sanchez. Não advogo favoravelmente a ela pq conheço pouco do trabalho da blogueira. Passei a ler os textos dela no Google Reader há poucos meses com o objetivo de treinar meu vocabulário em espanhol. Se achasse que fosse essa coca-cola toda, teria um link para o Generación Y ai ao lado, mas não tenho – o que não desqualifica o trabalho dela.

Bem, esse trololó todo é para falar sobre uma entrevista feita por um Jornalista francês, Salim Lamranium, reproduzida no blog de um colega. A entrevista é enorme e, realmente, não sei se todo mundo terá interesse em ler. Mas como eu li tudo, resolvi fazer alguns comentários sobre ela.

Antes de tudo, algumas regras e explicações:
1 – a ideia da entrevista é desmascarar a Yoani e apresentá-la como uma farsa a serviço de interesses contrários à Cuba. Bem, o inverso vale para o entrevistador também: o cara parece estar a serviço (e munido) de interesses que visam desqualificar críticas ao regime cubano;

2 – sou completamente contra o regime cubano e contra qualquer regime que não aceite a democracia ou a liberdade de opinião. Os avanços sociais alegados por Cuba não são e nem podem ser considerados justificativas para esse tipo de ação totalitária contra a pluraridade.

3 – não vou esmiuçar completamente e nem resumir a entrevista, pois ela é muito longa. O link tá ali em cima e aqui – quem quiser leia, faça-o. O que vou fazer aqui é citar – e comentar – alguns trechos da entrevista que eu considero absurdos para quem se propõe a fazer Jornalismo (de letra maiúscula) sério. A ideia não é desqualificar, mas sim deixar claro que tendencionismos (extremados ou não) existem para ambos os lados. O que não pode acontecer é encarar um texto, seja de quem for, como verdade absuluta e, consquentemente bater palmas para esses apanhados ideológicos que no final das contas só querem produzir lemingues para manter um establishment, seja ele qual for.

Entendidos? Então vamos lá.

Das grosserias non-sense que encontrei na entrevista, uma que me chamou bastante atenção foi quando o entrevistador questiona o retorno da cubana ao seu país, depois de viver na Suíca:

"SL – Entendo. No entanto, apesar de todas essas razões, é difícil entender o motivo de seu regresso a Cuba quando no Ocidente se acredita que todos os cubanos querem abandonar o país. É ainda mais surpreendente em seu caso, pois a senhora apresenta seu país, repito, de modo apocalíptico."

O que transpira nessa indagação é que a pessoa não pode ter (amor?) saudades da sua pátria... ou das suas raízes. Ou seja, voltar de um país em condições financeiras, políticas e sociais muito boas, para um em situação precária (como descrito na entrevista e no blog) deveria ter um objetivo necessariamente escuso por trás. Deve ter interesses estrangeiros em desestabilizar o governo cubano com o retorno de uma bacharel em letras para o país. Afinal de contas, é inadimissível que alguém prefira estar com a família a estar distante lhes mandando dinheiro. Achei completamente desnecessário esse trecho. Uma tentativa mesquinha de desqualificar o interlocutor e seu interesse com o país.

Financiamento internacional

Uma outra tentativa de desqualificar a cubana foi a popularidade do blog dela. O jornalista levanta suspeitas sobre a capacidade do blog se manter com a sua popularidade (número de acessos e traduções).

"SL – Muitas pessoas acham difícil acreditar nisso, pois nenhum outro site do mundo, nem mesmo os das mais importantes instituições internacionais, como as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OCDE, a União Europeia, dispõe de tantas versões de idioma. Nem o site do Departamento de Estado dos EUA, nem o da CIA contam com semelhante variedade."

Fica latente nesse trecho é que o jornalista quer descaracterizar a mulher apresentando-a como um capacho que é pago para falar mal de Cuba, e, portanto, é uma farsa, já que suas reclamações não são autênticas (por mais que tenham respaldo na realidade), mas sim encomendadas (mas isso é tema para mais adiante). Só que a argumentação do francês é infantil. Infantil pq esquece que está lidando com a internet, a forma de comunicação mais democrática nos dias atuais, e que já demonstrou inumeras vezes a sua capacidade de mobilização, e até mesmo, pq não?, solidariedade.

Para mim é completamente plausível que as traduções do site dela sejam feitas por colaboradores. Nem que alguns desses colaboradores sejam pagos pelo Mosad ou pela CNN. O fato é que a internet trás esse tipo de atitude. E comparar a inexistência dessa ferramenta, ou desses colaboradores, em sites como os elencados, é comparar alhos com bugalhos. Afinal, o site do FMI atrai tantos simpatizantes quanto um blog do estilo do Generación Y, né? A capacidade de sensibilizar e mobilizar são as mesmas.

Relação promíscua com Obama e os EUA

A ideia da entrevista toda é tentar mostrar que a Yoani é financiada por governos e instituições contrárias a Cuba, especialmente os EUA. Então ele cai de pau na suposta relação que ela teria com a Casa Branca por conta da resposta do Obama sobre questões enviadas por ela, assim como quer utilizá-la como bode expiatório para críticas às políticas estadunideneses em relação à ilha (políticas que a própria blogueira é contrária). Mas o interessante é o desfecho desse trecho da entrevista:

"SL – Ele não pode eliminá-las totalmente porque não há um acordo no Congresso, mas pode aliviá-las consideravelmente, o que não fez até agora, já que, salvo a eliminação das sanções impostas por Bush em 2004, quase nada mudou.
YS – Não, não é verdade, pois ele também permitiu que as empresas de telecomunicações norte-americanas fizessem transações com Cuba.
SL – A senhora terá de admitir que é bem pouco, quando se sabe que Obama prometeu um novo enfoque para Cuba. Voltemos a seu caso pessoal. Como explica esta avalanche de prêmios, assim como seu sucesso internacional?"

Duas coisas aqui:

1 – Querer mensurar o que é muito e pouco em relação às políticas que UM presidente pode fazer em todo seu país é atestado de miopia política – especialmente quando o jornalista conhece a realidade política dos EUA, o momento atual pelo qual ele passa e as prioridades de um governo. Então, com certeza para elimiar totalmente as restrições à Cuba (por maior boa vontade que possa existir nesse sentido) é necessário um capital político muito extenso que não está disponível no momento. Especialmente quando se quer aprovar uma reforma no sistema de saúde e tirar o país de uma crise economica gravíssima.

2 – A capacidade do jornalista de mudar o foco de sua entrevista para algo polêmico quando percebe que não tem como tirar algo capaz de desqualificar a entrevistada é clara aqui. E essa situação se repete na entrevista. Quando chega num beco sem saída para os seus próprios interesses, o jornalista muda o foco da entrevista. Isso, infelizmente, é comum em todos os ramos do jornalismo. Pessoalmente, é uma das coisas que eu mais detesto nessa profissão. É a busca pelo chocante, pelo sensacionalista. Não é a busca pela verdade (inexistente), ou mesmo pelo esclarecimento do leitor, mas sim a satisfação de interesses egoístas pessoais ou de terceiros. Acho isso deplorável, pois quando eles pegam outros fazendo isso, é crimoso, farsa, manipulação, etc. Quando eles (repetidamente) fazem – e aqui me refiro à própria pessoa, não à classe –, são capazes de uma auto-indulgência quase divina.

Resistência financiada com ajuda estrangeira

Por fim, só uma exibição de diferentes cenários e, novamente, bancar o papel de advogado do diabo.

Sou contra financiamento externo de oposição em um país. Mas em países democráticos, onde a oposição só depende dela mesma para ser ouvida. Em regimes ditatoriais, acho que deve haver alguma flexibilidade por parte da comunidade internacional, desde que ele seja caracterizado como antidemocrático e contrário à livre manifestação por essa comunidade. Entretanto, esse financiamende deve SEMPRE ser pautado pela não violência e ter como objetivo trazer de volta a liberdade democrática, e não instaurar outra ditatura.

Então vamos lá: Salim levanta questionamentos sobre 58 presos políticos cubanos, uma vez que eles não seriam presos políticos estrito senso segundo as leis cubanas ou anistia internacional. Apartir do momento em que eles aceitam recursos dos EUA para fazer oposição ao governo, eles deixam de ser criminosos políticos para se tornarem criminosos comuns.

Chamo a atenção para o fato da legislação americana citada pelo próprio entrevistador, permitir doações apenas para: “indivíduos e organizações que promovem uma mudança democrática não violenta em Cuba.” Ou seja, nada de terrorismo ou luta armada. A ideia é dar ferramentas para o DEBATE a quem não tem condições de obte-las dentro da legalidade de seu país.

O problema que ao criticar isso, olha-se apenas para um lado. Esquecem que isso acontece em vários locais do mundo, e que o próprio governo Cubano já fez isso. Mas especificamente, conosco, no Brasil. Leonel Brizola ganhou o apelido de “El Ratón”, justamente de Fidel Castro, após aceitar dinheiro cubano para financiar a luta armada no Brasil (que, segundo as más línguas, foi utilizado na compra de fazendas ao invés de cumprir seu papel revolucionário). Ou seja, Cuba também fez isso que o jornalista critica. E foi além: quis não financiar uma mudança democrática não violenta, mas sim uma revolução ARMADA, com objetivo de substituir uma ditadura por OUTRA no país. Vai contra toda norma de bom senso que um financiamento legítimo internacional possa um dia advogar.

A esse exemplo, cito também o caso da Síria e do Irã que são acusados de financiarem grupos terroristas. Ou seja, fazem a mesma coisa, porém, a crítica e denúncias contra eles só são feitas pela grande mídia, que tem os interesses judaico-capitalistas por trás dela, e não são favoráveis aos queridinhos da imprensa esquerdista, o governo Cubano, e todo antiamericanismos que vemos por ai.

Não estou advogando que essa ajuda é legal, legítima ou correta. O que disse a pouco é que sou favorável a ela, NAQUELES TERMOS. Mas entre eu ser favorável e algo ser certo (legal) são outros quinhentos. O que eu quero levantar aqui é que isso é uma prática que funciona para os dois lados. Querem apontar para o outro, mas esquecem de apontar para o próprio rabo. E isso é ridículo, infantil e de uma ardilosidade tamanha. É querer manipular o leitor, impedir que ele pense por si próprio – um deserviço ao “Jornalismo de verdade”.

E a argumentação segue com outro exemplo recente e bem sintomático:

"SL – O problema é que os dissidentes cometem um delito que a lei cubana e todos os códigos penais do mundo sancionam severamente. Ser financiado por uma potência estrangeira é um grave delito na Franca e no restante do mundo.
YS – Podemos admitir que o financiamento de uma oposição é uma prova de ingerência, mas…
SL – Mas, neste caso, as pessoas que a senhora qualifica de presos políticos não são presos políticos, pois cometeram um delito ao aceitar dinheiro dos Estados Unidos, e a justiça cubana as condenou com base nisso.
YS – Creio que este governo se intrometeu muitas vezes nos assuntos internos de outros países, financiando movimentos rebeldes e a guerrilha. Interveio em Angola e…"

Ora, então se a legislação de um país (democrático ou não) diz que algo é crime, não cabe a outros países entrar em confronto com essas determinações, correto? Bem, segundo a argumentação do francês, parece que sim. Então gostaria de saber qual é a posição dele sobre a recente crise em Honduras. A Constituição (lei máxima de qualquer país) hondurenha dizia que realização de plebiscitos para consulta sobre reeleição era crime de responsabilidade passível de perda de mandato imediata decidida pelo Judiciário. Ora, então porque toda a comunidade internacional, em especial a de ”esquerda”, classificou a situação LEGAL em Honduras como golpista e quis meter o bedelho?

Queria saber a opinião desse jornalista sobre isso.......

Escolha um lado?

Novamente, volto a bater na mesma tecla aqui: querer simplificar a política, ou qualquer atividade social do ser humano como jogo de direita/esquerda, certo/errado, nós/eles é algo, perdoem a palavra, burro. Burro pq nada pode ser simplificado a essas duas variáveis. Nada. As coisas não são simplesmente resultados de causa e efeito ou de um preto no branco. Os pontos de vistas e interesses sempre são múltiplos e devem sempre ser analisados para tentarmos formar uma opinião sobre algo. Correr para a simplificação é correr para a radicalização – uma das piores coisas que podem acontecer na esfera de relações humanas.

Yoani é uma farsa? Acho que não. Ela tem seus próprios interesses para fazer o que faz? Provalvemente sim. Recebe para falar mal do governo Castro? Não sei. Mas até que ponto o que ela diz é uma invenção e até que ponto é a relidade de um país que não aceita a democracia e a liberdade de opinião? Isso necessariamente desqualificaria as afirmações dela?

Ai cabe a cada um refletir sobre o assunto e chegar a conclusão que lhe parecer mais viável. Mas, por favor, PENSEM antes de sairem atirando.

Minha opinião em relação a ela é simples: bandida. Salafrária. Safada. Sem vergonha. Velhaca. Mentirosa. Desqualificada. Onde já se viu falar mal do Gabriel Garcia Marquez????

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Projeto Macaco

Bem, como não tenho falado muito de música por aqui (cortaram meus mini mixes!!), deixa eu fazer um jabá pro bródi.

Alguém conhece o Projeto Macaco? Então, é "a nova banda, é a nova sensação", em que um amigo da época de escola canta. O som dos caras é uma bagunça bem bacana, com um puxadão de funk (black), rock, "cangibrina" e maconha - apesar de eles se classificarem como algo entre Funky Rock, Crazy Pop e Miscellaneous Hits. Lembrei um pouco do Mr. Bungle quando escutei o que eles gravaram. Massa.

Recomendo para quem quiser ouvir um som novo e bem bacana. E para dar uma força pros caras. Especialmente pq o Mogi é lerdo pacas, então tem de rolar um empurrão. Então, se curtirem, rippem as músicas da banda no Myspace e escutem nas festinhas, ou simplesmente bombem o Myspace dos caras. O link tá no post inteiro e ai do lado.

O som é grosso (pq fino é coisa de gente fresca). Destaque para "Carnaval no Cemitério", "Vegetarian Ragga Man", "Marina" e "Bonecão de Olinda Bad Vibe" (espetacular!!).

Fodas.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Curso de formação de militância

Ontem recebi um e-mail de um colega convidando os membros da lista para um curso de formação política. Do PT.

Só que o curioso é que eu fiquei interessado em dar uma olhada nesse curso. Até porque, acho interessante conhecer as coisas antes de criticá-las.
Segue a cópia do e-mail (grifos meus):

“Companheiras e companheiros,

A formação política, reivindicação constante de muitos militantes, é uma tarefa fundamental para tornar a prática política mais efetiva, afinal, não se transforma a realidade sem conhecê-la.
Nesse sentido, com o intuito de aprofundar a reflexão sobre a realidade e a nossa luta política, a Associação de Estudos Página 13, está promovendo em Brasília um Curso de Formação Política.
A idéia é, a partir do estudo sobre a história e experiências da luta pelo socialismo no mundo e no Brasil, refletir sobre o momento que a esquerda vive e quais perspectivas estão colocadas para a atuação política cotidiana.
Para não pesar na rotina de trabalho e militância dos participantes e, possibilitar tempo para a leitura, a metodologia do curso combina, aulas teóricas com encontros para assistir e debater filmes relacionados aos temas estudados anteriormente.
Os temas abordados no curso são:
1. Objetivos imediatos e históricos das classes trabalhadoras. A luta pelo socialismo. O marxismo.
2. A revolução russa (1917 a 1991).
3. A revolução chinesa (1949 a 2010).
4. A Revolução Cubana e as guerrilhas da América Latina (1959 - 1979 - 2010).
5. O Governo da Unidade Popular no Chile (1970 - 1973).
6. O período atual: 1980 – 2010.
7. Os grandes períodos da luta pelo socialismo no mundo e no Brasil.
8. A estratégia do PT, o governo Lula e os desafios do governo Dilma.
(Em cada aula será abordado um tema)
As aulas serão intercaladas com os seguintes filmes para debate:
1. DAENS - UM GRITO DE JUSTIÇA
2. STÁLIN
3. TEMPO DE VIVER
4. CHE (PARTE 1 E 2)
5. A BATALHA DO CHILE
6. SICKO, DE MICHAEL MOORE
7. ENTRE DOIS IRMÃOS
8. LULA

Os encontros para aulas e os filmes seguidos de debate serão no auditório do PT Nacional (SCS, Quadra 02, Edifício Touffic), sempre das 19h00 às 22h30. No primeiro encontro será apresentada a metodologia do curso e a bibliografia sugerida. As três primeiras aulas serão ministradas pelo companheiro Valter Pomar, membro do Diretório Nacional do PT."



Beleza de currículo, hein? Pois é, depois de ver isso (já tinha minhas suspeitas), percebi que não é curso de formação política coisíssima nenhuma, mas sim um curso de formação de militância.

Até tenho interesse em ir, pra poder, se for o caso, elogiar o que deve ser elogiado (...) e criticar, com conhecimento in loco, o que deve ser criticado. O problema é o horário: quarta a noite é dia de jogo do mengão. Sem contar que eu trabalho até mais tarde nesses dias. Bem, se a coisa mudar, de repente eu apareço, já que não é necessária a inscrição prévia ou pagar matrícula: é só aparecer e se inscrever lá.

Imaginem, eu num curso de formação de militância do PT. Me disseram que é suicídio. Só não sei de que tipo.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Celebrar Brasília




Por conta dos infortúnios políticos da cidade, parece que a festa de 50 anos de Brasília será bem minguada. Nada contra a Daniela Mercury, mas, definitivamente, não se compara às projeções megalomaníacas deveras interessantes que previam Paul Mccartney, U2, Madonna ou Pink Floyd.

Por mim tudo bem. Até mesmo pq assistiria esses shows de uma distância saudável do palco. Mas que ficou bem xifrim, ficou.

Eis que o Celebrar Brasília resolve salvar a pátria (para alguns, pelo menos). Vai trazer nada mais, nada menos, que o carequinha favorito do Eminen para a capital federal: Moby. E apesar do line up não ter sido divulgado, a festa promete ser bem melhor que a do ano passado.

Então, para ninguém ficar chupando dedo no dia 17 de abril, acessem o site do evento e descolem seu "passaporte VIP" para o show.

Trezão para ver o show do careca. Boto fé que vale, hein?

Ps.; ah, e o Function! tá com um setzinho (Function! Loves Moby) dedicado ao Moby, bem bacana. Vale a pena conferir!

terça-feira, 30 de março de 2010

Lula tem razão

Lula está coberto de razão quando se diz insatisfeito com os resultados do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - versão 1.
Nem metade das obras ali previstas foi concluída.
O PAC 2 não passa de uma carta de intenções.
Ou melhor: de uma plataforma para lançamento da candidatura de Dilma à presidência da República.

É uma peça marqueteira.
(daqui)